Alguns itens de decoração não se sujeitam à passagem do tempo, estando sempre presentes em diversos ambientes, e em qualquer época. Móveis com design, então, nem se fala. Uma das tendências atuais do design de interiores é justamente mesclar peças contemporâneas com aquelas produzidas em outras décadas, mas que são sempre bem vindas à composição.

A mesa Analog, do espanhol Jaime Hayon, produzida pela Fritz Hansen, foi um dos destaques do Salão do Móvel de Milão 2014. é uma peça moderna, com quatro pernas em madeira maciça, e seu design é um convite ao convívio em torno de uma mesa de formato oval, posto que incentiva o diálogo, a intimidade, pelo espaço que apresenta. Pode ser feita em vários acabamentos como o laminado branco, carvalho ou nogueira.

A mesa foi divulgada com cadeiras Drop, de Arne Jacobsen, que data de 1958. A composição da mesa com as cadeiras harmonizou-se tão perfeitamente, que não se notou o espaço de tempo entre a criação de cada peça.

Outra peça muito usada na ambientação atual é a cadeira Série 7 (1955), também assinada por Arne Jacobsen. Por vezes a peça é escolhida por seu formato slim, e o comprador a adquire sem saber que é reprodução de peça de design.

A cadeira Série 7 faz sucesso em qualquer espaço moderno e atual. Suas cópias são usadas na versão original, em madeira, ou mesmo em diversas cores.

Usada aqui na versão tradicional, a cadeira Série 7 compõe este ambiente mais sóbrio, porém sua leveza quebra a rigidez dos móveis de linha mais pesada usados nesta ambientação.

Nesta sala de jantar as cadeiras Série 7, reproduzidas na cor branca, fazem uma linda composição com o moderno sofá feito a partir do aproveitamento do espaço na parede. Destaque para a madeira que, usada na mesa e no piso, aquece os tons claros deste projeto.

ícone do mobiliário dinamarquês, a poltrona-lounge PK22 (1955), de Poul Kjaerholm, remete às linhas mais industriais, por possuir estrutura em aço e revestimento em couro natural.

Disponível nas versões em vime, camurça ou couro, com sua base em aço inoxidável escovado, a poltrona PK22 pode ser usada em qualquer ambientação, harmonizando-se perfeitamente com outros móveis produzidos atualmente, ou mesmo com aqueles de reprodução assinada como a Drop (1958), e a Egg (1950) ambas de Arnie Jacobsen.

Gonçalo Rodrigues dos Santos, dono de uma pequena loja de solda em Algés, Lisboa, foi um artesão, torneiro, fresador, serralheiro, soldador, aquele tipo de pessoa que possui habilidade para desenvolver diversos produtos, desde extratores de suco a saltos de sapatos.

Era designer também, e certo dia resolver desenvolver cadeiras. Sua ideia surgiu de uma máquina de flexão de tubo com a qual iniciou a produção de cadeiras, em segredo, pois “não queria ninguém a chateá-lo”, como dizia. Os primeiros modelos apareceram nos anos 30 e 40 e, a cada cadeira que concluía, convidava seus funcionários para sentar e testar sua ergonomia. Então, nos anos 50 criou o que seria um grande ícone lusitano, a cadeira Gonçalo.

Originalmente a cadeira Gonçalo foi criada em metal pintado com estrutura tubular, sendo composta por quatro elementos que são o tubo que compõe as duas pernas de trás, o apoio para os braços e o contorno superior do encosto, o tubo que compõe as duas pernas da frente e o contorno posterior do encosto, o encosto curvo e levemente reclinado, e o assento levemente reclinado com bordo dianteiro curvo.

A cadeira Gonçalo atingiu seu auge no final dos anos 60, sendo exportada para diversos países, desaparecendo após a revolução portuguesa (1974), com o surgimento da era do mobiliário de plástico.

Após anos de esquecimento eis que, em 2014, o designer português Alexandre Caldas vence o prêmio Silver Award, atribuído pela A'Design Awards, com uma releitura da cadeira Gonçalo, denominada de “Portuguese Roots Chair”, apresentando as raízes portuguesas ao design mundial.

A ideia de reviver um mobiliário clássico dos anos 50 veio acompanhada da preocupação de fabricar um mobiliário ecológico. A escolha foi pela cortiça, matéria-prima natural abundante em Portugal e considerada altamente sustentável. O modelo Gonçalo foi aprimorado, transformando-se em uma cadeira confortável, elegante e contemporânea, recebendo o nome de Raízes, em homenagem a suas raízes portuguesas. Com assento em cortiça natural e estrutura em madeira nogueira oleada, a peça ganhou refinamento tal que pode ser usada em qualquer ambientação.

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